O que a Bíblia diz sobre o divórcio? Mateus 19 explicado

A Bíblia vê o casamento como aliança para a vida toda e o divórcio como ruptura dela, e Jesus cita uma exceção: a infidelidade sexual. Moisés tolerou o divórcio “por causa da dureza dos vossos corações”, Paulo trata do abandono pelo cônjuge descrente, e os cristãos divergem sobre o novo casamento. Nenhum desses textos manda alguém continuar exposto à violência.

Onde está escrito na Bíblia

  1. Malaquias 2:14-16
  2. Mateus 19:3-6
  3. Mateus 19:7-9
  4. Deuteronômio 24:1-4
  5. 1 Coríntios 7:10-11
  6. 1 Coríntios 7:12-15
  7. Colossenses 3:19

Malaquias 2:14-16

Vós dizeis: Por que razão? Porque o SENHOR foi testemunha entre ti e a mulher de tua juventude, contra a qual tu tens traído, sendo ela a tua companheira, e a mulher de teu pacto. E não fez ele somente um ainda que lhe sobre o espírito? E por que um? Para buscar uma descendência de Deus. Guardai-vos pois em vosso espírito, e ninguém de vós seja infiel à mulher de vossa juventude. Porque o SENHOR Deus de Israel diz que ele odeia o divórcio, e quem cobre a sua roupa de violência, diz o SENHOR dos exércitos. Guardai-vos pois em vosso espírito, e não sejais infiéis.

Malaquias fala a homens que abandonavam “a mulher de tua juventude”, e Deus se apresenta como testemunha da aliança. A Bíblia Livre traduz o versículo 16 como “ele odeia o divórcio” — o hebraico é difícil, e há traduções que o leem de outro modo —, e o mesmo versículo condena quem “cobre a sua roupa de violência”.

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Mateus 19:3-6

Então os fariseus se aproximaram dele e, provando-o, perguntaram-lhe: — É lícito ao homem se divorciar da sua mulher por qualquer causa? Porém ele lhes respondeu: — Não tendes lido que aquele que os fez no princípio, macho e fêmea os fez, e disse: Portanto o homem deixará pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e os dois serão uma única carne? Assim eles já não são mais dois, mas sim uma única carne; portanto, o que Deus juntou, o ser humano não separe.

A pergunta era se o homem podia se divorciar “por qualquer causa”, um debate dos rabinos da época em torno de Deuteronômio 24:1. Jesus volta à criação e conclui: “o que Deus juntou, o ser humano não separe”.

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Mateus 19:7-9

Eles lhe disseram: — Por que, pois, Moisés mandou lhe dar carta de separação, e divorciar-se dela? Jesus lhes disse: — Por causa da dureza dos vossos corações Moisés vos permitiu divorciardes de vossas mulheres; mas no princípio não foi assim. Porém eu vos digo que qualquer um que se divorciar de sua mulher, a não ser por causa de pecado sexual, e se casar com outra, adultera; e o que se casar com a divorciada também adultera.

Moisés permitiu o divórcio, mas “no princípio não foi assim”, e Jesus abre uma única exceção: “a não ser por causa de pecado sexual” — a palavra grega, porneia, é ampla. Marcos 10:11-12 e Lucas 16:18 trazem a mesma frase sem a exceção, e por isso os cristãos a leem de modos diferentes (veja abaixo).

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Deuteronômio 24:1-4

Quando algum tomar mulher e se casar com ela, se não lhe agradar por haver achado nela alguma coisa ofensiva, lhe escreverá carta de divórcio, e a entregará em sua mão, e a despedirá de sua casa. E saída de sua casa, poderá ir e casar-se com outro homem. E se a aborrecer este último, e lhe escrever carta de divórcio, e a entregar em sua mão, e a despedir de sua casa; ou se morrer o posterior homem que a tomou para si por mulher, Não poderá seu primeiro marido, que a despediu, trazê-la de volta a tomar para que seja sua mulher, depois que foi contaminada; porque é abominação diante do SENHOR, e não hás de perverter a terra que o SENHOR teu Deus te dá por herança.

O texto que os fariseus citaram não manda ninguém se divorciar: regula um costume que já existia. A carta de divórcio deixava a mulher livre para casar de novo, e o primeiro marido não podia tomá-la de volta — um freio a quem descartava a esposa.

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1 Coríntios 7:10-11

Porém aos casados eu mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido. E se se separar, fique sem casar, ou se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher.

Paulo repete o ensino de Jesus aos casados que creem: não se separar. Se a separação acontecer, o caminho apontado é: “fique sem casar, ou se reconcilie com o marido”.

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1 Coríntios 7:12-15

Mas aos outros digo eu, não o Senhor: se algum irmão tem mulher descrente, e ela consente em habitar com ele, não a deixe. E se alguma mulher tem marido descrente, e ele consente em habitar com ela, não o deixe. Porque o marido descrente é santificado pela mulher; e a mulher descrente é santificada pelo marido. Pois de outra maneira vossos filhos seriam impuros; porém agora são santos. Mas se o descrente se separar, separe-se também. Em tal situação o irmão ou a irmã não estão sujeitos à servidão; mas Deus nos chamou para a paz.

Para quem é casado com alguém que não crê: se o outro quer continuar, fique; se ele vai embora, “o irmão ou a irmã não estão sujeitos à servidão”. Muitas igrejas leem aqui uma segunda situação que desfaz o casamento, o abandono; outras, só a liberdade de não lutar por quem partiu — e o versículo termina: “Deus nos chamou para a paz”.

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Colossenses 3:19

Maridos, amai às esposas, e não as trateis amargamente.

O casamento que a Bíblia descreve é lugar de cuidado: o marido é chamado a amar e proibido até de tratar a esposa com amargura. A violência contradiz tudo o que a aliança promete, e nenhum texto bíblico pede a quem é agredido que fique em perigo.

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Onde as igrejas divergem

Sobre o novo casamento há três leituras principais. Na primeira, a exceção de Mateus 19:9 e o abandono de 1 Coríntios 7:15 desfazem o vínculo, e quem foi traído ou abandonado pode casar de novo — é a posição de boa parte das igrejas evangélicas. Na segunda, a exceção permite a separação, mas não um novo casamento enquanto o cônjuge vive, porque Marcos e Lucas não a trazem e Paulo manda ficar sem casar (1 Coríntios 7:11). A terceira lê o pecado sexual de Mateus 19:9 como uniões que nem eram casamento válido, ou a infidelidade no noivado, como a que José supôs em Maria (Mateus 1:19). A Igreja Católica considera indissolúvel o casamento sacramental válido e, depois de um processo, pode declarar que um casamento foi nulo desde o início. Muitas igrejas avaliam cada caso com acompanhamento pastoral, tratando o divórcio como fruto do pecado, mas não como pecado sem perdão.

Perguntas frequentes

A Bíblia permite o divórcio?
A Bíblia não o recomenda: Jesus diz que no princípio não foi assim. Mas ele mesmo cita a infidelidade sexual como exceção (Mateus 19:9), e Paulo trata do cônjuge descrente que abandona o casamento (1 Coríntios 7:15). Até onde vão essas exceções é o que as igrejas discutem.
Quem se divorciou pode casar de novo?
Aqui os cristãos divergem de verdade. Muitas igrejas evangélicas permitem o novo casamento a quem foi traído ou abandonado; outras só depois da morte do ex-cônjuge (Romanos 7:2-3); a Igreja Católica não reconhece o divórcio, mas pode declarar nulo um casamento. As leituras principais estão logo abaixo.
Posso me divorciar se o casamento é infeliz?
A infelicidade, sozinha, não aparece nesses textos como motivo de divórcio, e Paulo aponta para a reconciliação (1 Coríntios 7:11). Um casamento infeliz pede ajuda antes de qualquer decisão: conversa honesta, aconselhamento pastoral, terapia de casal. Mas infelicidade é diferente de abuso — veja a próxima pergunta.
A Bíblia manda continuar num casamento com violência?
Não. A fé não manda ninguém suportar violência: Malaquias 2:16 condena quem “cobre a sua roupa de violência”, e Provérbios ensina que “O prudente vê o mal, e se esconde”. Davi fugiu de quem queria matá-lo, com a ajuda da esposa (1 Samuel 19:12): buscar segurança não é pecado. Procure pessoas de confiança, a liderança da igreja e a rede de proteção; em perigo imediato, ligue 190, e o Ligue 180 orienta mulheres em situação de violência.

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