O que a Bíblia diz sobre a morte e a vida após a morte?
Para a Bíblia, a morte não é o fim: quem morre em Cristo vai “estar com Cristo”, e no último dia todos os mortos ressuscitarão. Ela não ensina que os mortos acompanham ou visitam os vivos, mas também não trata o luto como falta de fé: chorar, sepultar e ir ao túmulo de quem se ama são gestos que aparecem nas suas páginas. Onde os cristãos divergem é no que acontece entre a morte e a ressurreição.
Pois, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro. Mas, se este viver na carne for o fruto do meu trabalho, então não sei o que prefiro, pois estou pressionado por ambos os lados: tenho desejo de ser desligado, e estar com Cristo, o que é muito melhor;
Paulo, preso e sem saber se seria executado, chama a morte de lucro porque ela significa “estar com Cristo, o que é muito melhor”. Para quem está em Cristo, morrer é partir para junto dele, não cair no nada.
E disse a Jesus: — Senhor, lembra-te de mim, quando chegares em teu Reino. E Jesus lhe disse: — Em verdade te digo, hoje estarás comigo no paraíso.
Ao criminoso arrependido crucificado ao seu lado, Jesus promete: “hoje estarás comigo no paraíso”. A maioria lê aqui a presença com Cristo logo depois da morte; quem crê no sono da alma desloca a vírgula — te digo hoje: estarás comigo —, já que os manuscritos gregos não tinham pontuação.
Pois o mesmo Senhor descerá do céu com grande aclamação, com voz de arcanjo, e com trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; Em seguida nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, para encontrar o Senhor no ar, e assim estaremos com o Senhor para sempre.
A esperança final não é só a alma junto de Deus, é o corpo ressuscitado: “os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro”, e os que estiverem vivos se juntarão a eles para estarem com o Senhor para sempre.
Não vos maravilheis disto; porque a hora vem, em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão sua voz. E sairão os que fizeram bem, para a ressurreição de vida; e os que fizeram mal, à ressurreição de condenação.
A ressurreição não é só para os cristãos: todos os que estão nos sepulcros ouvirão a voz de Cristo, uns para a vida e outros para a condenação. A morte não encerra a responsabilidade de ninguém diante de Deus.
E disse ele: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai. Porque tenho cinco irmãos, para que lhes dê testemunho; para que também não venham para este lugar de tormento. Disse-lhe Abraão: Eles têm a Moisés e aos profetas, ouçam-lhes. E ele disse: Não, pai Abraão; mas se alguém dos mortos fosse até eles, eles se arrependeriam. Porém Abraão lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, também não se deixariam convencer, ainda que alguém ressuscite dos mortos.
Na história do rico e de Lázaro, o rico pede que alguém volte dos mortos para avisar os irmãos e ouve que não: os vivos já têm a Palavra — “Eles têm a Moisés e aos profetas”. Seja parábola ou retrato do além, o texto não abre um canal entre mortos e vivos.
Porque os vivos sabem que vão morrer; mas os mortos não sabem coisa alguma, nem também tem mais recompensa; pois a lembrança deles já foi esquecida. Até seu amor, até seu ódio, e até sua inveja já pereceu e nenhuma parte nunca mais lhes pertence, em tudo quanto se faz abaixo do sol.
Os mortos “não sabem coisa alguma” e não têm mais parte no que se faz “abaixo do sol”. Para a maioria dos cristãos, o Pregador descreve a morte vista desta vida, não o que a alma vive diante de Deus; para quem crê no sono da alma, é a prova de que os mortos ficam inconscientes até a ressurreição.
Melhor é ir à casa do luto do que a casa do banquete, porque isto é o fim de todos os homens; e os vivos tomam isto em seus corações.
Ir ao velório e chorar com quem chora não é mórbido nem falta de fé: “Melhor é ir à casa do luto”, diz o Pregador, porque ali os vivos se lembram de que todos chegarão a esse dia e levam isso a sério.
Todos concordam que a morte não é o fim e que a esperança final é a ressurreição do corpo; a divergência está no tempo entre uma coisa e outra. A maioria — católicos, ortodoxos e a maior parte dos evangélicos — crê que a pessoa segue consciente depois da morte, e quem está em Cristo, na presença dele (Filipenses 1:23; Lucas 23:43; Apocalipse 6:9-10). Adventistas e alguns outros grupos creem no sono da alma: a morte é inconsciência até a ressurreição — por isso, dizem, a Bíblia a chama de dormir (João 11:11; 1 Coríntios 15:20). A Igreja Católica ensina ainda o purgatório, uma purificação de quem morre na graça de Deus antes de entrar no céu, que as igrejas evangélicas não aceitam. E se a história do rico e de Lázaro descreve o além ou é só uma parábola também é debatido.
Perguntas frequentes
O que acontece com quem morre?
O corpo volta ao pó (Eclesiastes 12:7), e a esperança cristã tem duas etapas: para quem está em Cristo, morrer é estar com o Senhor (Filipenses 1:23; 2 Coríntios 5:8), e no último dia todos ressuscitarão, uns para a vida e outros para o juízo (João 5:28-29). Como é o tempo entre uma etapa e outra é o ponto em que os cristãos divergem.
Os mortos nos veem? Quem já morreu se comunica com os vivos?
A Bíblia não ensina que os mortos acompanham a vida de quem ficou. Davi, ao perder o filho, disse: “Eu vou a ele, mas ele não voltará a mim” (2 Samuel 12:23); na história do rico e de Lázaro, ninguém volta para avisar os vivos (Lucas 16:27-31); e a Lei proíbe consultar os mortos (Deuteronômio 18:10-12). Quando Saul procurou uma médium para falar com Samuel (1 Samuel 28), a Bíblia registra isso entre os motivos da sua morte (1 Crônicas 10:13-14). A nuvem de testemunhas de Hebreus 12:1 costuma ser lida como os exemplos de fé do capítulo 11, não como espectadores, embora alguns a leiam assim. Católicos e ortodoxos creem que os santos oram pela igreja, mas também rejeitam buscar contato com os mortos.
É errado visitar o túmulo ou ir a um velório?
Não. Abraão chorou por Sara (Gênesis 23:2), José guardou sete dias de luto pelo pai (Gênesis 50:10), Jesus chorou pela morte de um amigo (João 11:35) e Maria Madalena chorou junto ao sepulcro (João 20:11). A Bíblia proíbe consultar os mortos, não lembrar deles, sentir saudade ou honrar a sua memória.