O que a Bíblia diz sobre jugo desigual? Namoro e casamento
A Bíblia orienta quem crê a se casar com quem também crê — “contanto que seja no Senhor”, diz Paulo — e alerta contra alianças que afastam de Deus. A expressão jugo desigual vem de 2 Coríntios 6:14, um texto mais amplo que o casamento. E quem já é casado com alguém que não crê é orientado a ficar.
Não vos ajunteis em outro jugo com os descrentes. Porque, que parceria tem a justiça com injustiça? E que parceria tem a luz com as trevas? E que acordo há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o crente com o incrédulo? E que acordo há entre o Templo de Deus e os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: — Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei seu Deus, e eles serão meu povo.
De onde vem a expressão jugo desigual — na Bíblia Livre, “outro jugo”. A imagem é a de dois animais diferentes na mesma canga, como a Lei proibia ao arar com boi e asno (Deuteronômio 22:10), e o contexto é a idolatria — por isso o princípio vale para qualquer aliança que prenda o cristão ao que contradiz a fé, e muitos o aplicam também ao casamento.
A mulher casada está ligada pela Lei todo o tempo em que seu marido vive; mas se seu marido morrer, fica livre para se casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor.
O texto mais explícito sobre casamento: a viúva pode se casar com quem quiser, “contanto que seja no Senhor”. É daqui que as igrejas tiram a orientação de casar com alguém que também segue a Cristo.
E não aparentarás com eles: não darás tua filha a seu filho, nem tomarás a sua filha para teu filho. Porque desviará a teu filho de me seguir, e servirão a deuses alheios; e o furor do SENHOR se acenderá sobre vós, e te destruirá logo.
A proibição de Israel de casar com os povos de Canaã traz o motivo no próprio texto: o risco de desviar o coração para outros deuses. O critério era a fé, não a origem — Raabe e Rute, estrangeiras que abraçaram o Deus de Israel, estão na genealogia de Jesus (Mateus 1:5).
E teve setecentas esposas princesas, e trezentas concubinas; e suas mulheres desviaram o coração dele. E aconteceu que, na velhice de Salomão, suas mulheres inclinaram o seu coração para seguir outros deuses; e o coração dele não era completo com o SENHOR seu Deus, como o coração do seu pai Davi.
Salomão, o rei mais sábio, é o exemplo que a Bíblia dá: “suas mulheres desviaram o coração dele”. O alerta não é contra pessoas, e sim sobre para onde o casamento puxa o coração.
Mas aos outros digo eu, não o Senhor: se algum irmão tem mulher descrente, e ela consente em habitar com ele, não a deixe. E se alguma mulher tem marido descrente, e ele consente em habitar com ela, não o deixe. Porque o marido descrente é santificado pela mulher; e a mulher descrente é santificada pelo marido. Pois de outra maneira vossos filhos seriam impuros; porém agora são santos.
Para quem já é casado com alguém que não crê — muitas vezes porque se converteu depois do casamento —, a orientação é o oposto de se separar: se o outro quer continuar, fique. O cônjuge descrente é santificado pelo que crê, e os filhos “agora são santos”.
Semelhantemente vós, esposas, estejais sujeitas aos próprios maridos, para que, ainda que alguns não obedeçam à Palavra, por meio do comportamento das esposas, sem palavra, sejam ganhos, quando eles observarem o vosso comportamento puro e com temor.
Pedro fala a esposas de maridos que não obedecem à Palavra: “sem palavra, sejam ganhos”, pelo comportamento delas. Num casamento desigual, a fé se mostra mais no jeito de viver do que na insistência.
A maioria das igrejas concorda que o cristão deve se casar com quem também crê. Elas divergem nas aplicações: se 2 Coríntios 6:14 vale também para sociedades de negócio e outros vínculos; o que fazer quando um membro se casa fora da fé — algumas o afastam de funções ou aplicam disciplina, outras acompanham sem punir —; e o que conta como mesma fé quando os dois são cristãos de igrejas diferentes. A quem já está casado com alguém que não crê, a orientação é a mesma em toda parte: ficar e viver a fé em casa.
Perguntas frequentes
Namorar quem não é cristão é pecado?
A Bíblia não fala de namoro, que não existia nesse formato. Mas o namoro é o caminho para o casamento, e o casamento de quem crê é “no Senhor” (1 Coríntios 7:39). Por isso a maioria das igrejas orienta a não começar um relacionamento sério com quem não compartilha a fé.
E o namoro missionário?
Paulo lembra ao cristão já casado com um descrente que não há garantia: “o que tu sabes, mulher, se salvarás ao marido?” (1 Coríntios 7:16). O texto consola quem já está casado; não é promessa para começar um relacionamento esperando que o outro se converta.
Sou casado com alguém que não é cristão. Devo me separar?
Não. Paulo é direto: se o outro consente em continuar, não o deixe (1 Coríntios 7:12-13). O casamento continua sendo casamento, e a fé pode ser vivida dentro dele com paciência e respeito (1 Pedro 3:1-2).
Evangélico pode casar com católico?
A Bíblia fala de crentes e descrentes; ela não trata do casamento entre cristãos de igrejas diferentes. Algumas igrejas evangélicas desaconselham por causa das diferenças de doutrina e de prática, outras deixam ao casal, e a Igreja Católica admite o casamento com um batizado de outra igreja, com autorização. Em qualquer caso, vale conversar antes sobre fé, igreja e a criação dos filhos.