O que a Bíblia diz sobre falar em línguas estranhas?
Na Bíblia, falar em línguas é um dom do Espírito: em Atos 2 eram idiomas reais, e em 1 Coríntios 14 Paulo pede interpretação e ordem no culto. Paulo valoriza o dom e diz que falava em línguas mais do que todos, mas, na igreja, prefere ser entendido. Se o dom continua hoje e se é sinal do batismo no Espírito são pontos em que as igrejas divergem.
E eles foram todos cheios do Espírito Santo, e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes dava a discursarem. E havia judeus que estavam morando em Jerusalém, homens devotos, de toda nação abaixo do céu. E acontecendo esta voz, ajuntou-se a multidão; e ela estava confusa, porque cada um os ouvia falar em sua própria língua. E todos estavam admirados, e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: — Ora, estes que estão falando, não são todos eles galileus? E como nós ouvimos cada um deles em nossa própria língua, na qual nascemos?
No Pentecostes, os discípulos “começaram a falar em outras línguas”, e gente de muitas nações os ouvia “em nossa própria língua, na qual nascemos”: eram idiomas reais, entendidos por quem ouvia.
E os crentes que eram da circuncisão, tantos quantos tinham vindo com Pedro, ficaram muito admirados de que também sobre os gentios fosse derramado o dom do Espírito Santo. Porque eles os ouviam falar em diversas línguas, e a engrandecer a Deus. Então Pedro respondeu:
Na casa de Cornélio, os judeus que acompanhavam Pedro souberam que os gentios tinham recebido o Espírito porque os ouviram falar em línguas. Pentecostais veem aqui, e em Atos 19:6, o padrão das línguas como sinal do batismo no Espírito.
E Deus pôs a uns na Igreja: em primeiro lugar apóstolos, em segundo profetas, em terceiro mestres; depois milagres, dons de curas, socorros, lideranças, variedades de línguas. Por acaso são todos apóstolos? São todos profetas? São todos mestres? São todos com dons de milagres? Tem todos dons de curas? Falam todos várias línguas? Interpretam todos?
Paulo põe as “variedades de línguas” entre os dons que Deus distribuiu na igreja e pergunta: “Falam todos várias línguas?” — a resposta esperada é não. Pentecostais entendem que ele fala do dom exercido no culto, não do sinal do batismo no Espírito.
Porque o que fala língua estranha, não fala aos seres humanos, mas sim a Deus; porque ninguém o entende, mas em espírito fala mistérios. Mas o que profetiza, fala aos seres humanos para edificação, convencimento, e consolação. O que fala língua estranha edifica a si mesmo; mas o que profetiza edifica à igreja.
Quem fala em línguas fala “a Deus” e “edifica a si mesmo”; quem profetiza fala às pessoas e edifica a igreja. Paulo não despreza o primeiro, mas prefere o que todos podem entender.
Graças dou a meu Deus, que mais línguas falo que todos vós. Porém eu quero mais falar na igreja cinco palavras com meu entendimento, para que eu também possa instruir aos outros, do que dez mil palavras em língua estranha.
Paulo agradece a Deus por falar em línguas mais do que todos, e logo diz que, na igreja, prefere “cinco palavras com meu entendimento” a dez mil numa língua que ninguém entende.
Mas se não houver intérprete, cale-se na igreja, fale porém consigo mesmo, e com Deus.
A regra para o culto: no versículo anterior, Paulo limita a dois ou no máximo três, um de cada vez, com alguém que interprete. Sem intérprete, quem fala em línguas deve se calar na igreja e falar “consigo mesmo, e com Deus”.
Portanto, irmãos, desejai com zelo profetizar, e não impeçais o falar línguas estranhas. Fazei tudo decentemente e com ordem.
O fechamento equilibra os dois lados: “não impeçais o falar línguas estranhas”, e “Fazei tudo decentemente e com ordem”. Nem proibir, nem transformar o culto em confusão.
Pentecostais — como a Assembleia de Deus, a maior igreja evangélica do Brasil — e muitos carismáticos ensinam que o batismo no Espírito Santo é uma experiência além da conversão e que falar em línguas é o seu sinal inicial, como em Atos 2, 10 e 19. Continuístas moderados, presentes em várias denominações, creem que o dom continua hoje, mas não o tornam sinal obrigatório: é um dom entre outros, que o Espírito reparte “como quer” (1 Coríntios 12:11); o dom também é praticado na Renovação Carismática Católica. Cessacionistas — comuns entre reformados, presbiterianos e batistas tradicionais — entendem que as línguas foram um sinal ligado aos apóstolos e à fundação da igreja (Efésios 2:20; Hebreus 2:3-4) e que já cessaram, como Paulo previu: “as línguas acabarão” (1 Coríntios 13:8); os continuístas respondem que isso só acontece quando vier o que é completo, na volta de Cristo. Todos concordam com o que Paulo pede: amor acima dos dons, edificação e ordem.
Perguntas frequentes
O que são línguas estranhas?
É como as traduções em português chamam o dom de 1 Coríntios 14. No grego, Paulo escreve só glossa, língua: o adjetivo estranha não está no original e foi acrescentado pelos tradutores para indicar uma fala que quem ouve não entende. Em Atos 2 eram idiomas conhecidos; em 1 Coríntios 14, uma fala que precisa de interpretação — e Paulo menciona “as línguas dos seres humanos e dos anjos” (1 Coríntios 13:1), que uns leem como uma fala além dos idiomas humanos e outros como força de expressão.
Todo crente deve falar em línguas?
Depende de a quem você pergunta. Pentecostais ensinam que as línguas acompanham o batismo no Espírito Santo e podem ser buscadas por todo crente; outros cristãos leem a pergunta de Paulo, “Falam todos várias línguas?” (1 Coríntios 12:30), como sinal de que o dom não é para todos. Em todas as posições, o amor vale mais que qualquer dom (1 Coríntios 13:1-2).
Pode falar em línguas no culto sem intérprete?
Paulo diz que não: sem intérprete, quem fala deve se calar na igreja e falar consigo mesmo e com Deus (1 Coríntios 14:28). Muitas igrejas pentecostais distinguem a mensagem em línguas dirigida à igreja, que precisa de interpretação, da oração em línguas feita a Deus, que entendem não precisar.