O que a Bíblia diz sobre tatuagem? Levítico 19:28 explicado
O único versículo bíblico sobre o tema é Levítico 19:28, que proíbe cortes na carne pelos mortos e marcas no corpo, costumes ligados ao culto pagão. Por isso uns cristãos veem a tatuagem como questão de consciência e outros como proibição ainda válida. Em nenhum dos casos ela decide a salvação.
Não comereis coisa alguma com sangue. Não sereis encantadores, nem fareis adivinhações. Não cortareis em redondo as extremidades de vossas cabeças, nem danificarás a ponta de tua barba. E não fareis cortes em vossa carne por um morto, nem imprimireis em vós sinal alguma: Eu sou o SENHOR.
O versículo 28 proíbe fazer cortes na carne “por um morto” e imprimir marcas no corpo, ao lado de proibições de adivinhação e de cortes de cabelo e barba que imitavam costumes religiosos dos povos vizinhos. Quem considera a lei ainda válida lê aqui a proibição de toda tatuagem; quem não considera observa que quase nenhum cristão guarda hoje a regra do versículo 27, sobre cabelo e barba.
Filhos sois do SENHOR vosso Deus: não vos cortareis, nem poreis calva sobre vossos olhos por morto; Porque és povo santo ao SENHOR teu Deus, e o SENHOR te escolheu para que lhe sejas um povo singular dentre todos os povos que estão sobre a face da terra.
O mesmo costume, com o motivo: cortar-se e raspar a cabeça “por morto” era rito de luto e de culto de outros povos (os profetas de Baal também se cortavam, 1 Reis 18:28), e Israel não devia fazê-lo porque era “povo santo”.
Porque pareceu bem ao Espírito Santo e a nós, de nenhuma carga a mais vos impor, a não ser estas coisas necessárias: Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne sufocada, e do pecado sexual; das quais, se vos guardardes, fareis bem. Que o bem vos suceda.
Quando a igreja decidiu o que exigir dos cristãos não judeus, resolveu não lhes impor “nenhuma carga a mais” além de poucas coisas necessárias — e marcas no corpo não estão na lista. É um dos textos de quem entende que as leis rituais de Israel não obrigam o cristão.
Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa de celebração religiosa, ou pela lua nova, ou pelos sábados; essas coisas são a sombra das coisas futuras, mas a realidade pertence a Cristo.
Paulo chama regras sobre comida, festas e sábados de “sombra das coisas futuras”, cuja realidade é Cristo. Muitos põem Levítico 19:28 nesse grupo; quem discorda lembra que o mesmo capítulo traz leis morais, como honrar os pais e não furtar (Levítico 19:3, 11).
Ou não sabeis que vosso corpo é templo do Espírito Santo, o qual está em vós, o qual tendes de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque vós fostes comprados por alto preço; então glorificai a Deus em vosso corpo, e em vosso espírito, que são de Deus.
O corpo é “templo do Espírito Santo”, e o cristão não é dono absoluto de si. No contexto, Paulo fala de imoralidade sexual, mas o princípio vale para todo uso do corpo — e os dois lados o usam: uns para evitar a tatuagem, outros para pensar no que marcam e por quê.
E o SENHOR respondeu a Samuel: — Não olhes à sua aparência, nem à sua grande estatura, porque eu o rejeito; porque o SENHOR olha não o que o homem olha; pois que o homem olha o que está diante de seus olhos, mas o SENHOR olha o coração.
Dito na escolha de Davi: “o SENHOR olha o coração”. Deus não avalia ninguém pela aparência — vale para quem tem tatuagem e para quem julga quem tem.
Portanto, ao comer, ou ao beber, ou ao fazer qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus.
O critério que cabe em qualquer decisão: fazer tudo “para a glória de Deus”. Para quem pensa em tatuar, a pergunta não é só se pode, mas o que a marca diz e a quem honra.
Muitos cristãos entendem que Levítico 19:28 fazia parte das leis que separavam Israel dos costumes pagãos, como a do versículo anterior sobre cabelo e barba, e que no Novo Testamento a tatuagem virou questão de consciência: o que ela representa, por que fazê-la e se fere alguém (Romanos 14). Outros entendem que a proibição continua valendo, porque está no meio de leis morais e porque o corpo pertence a Deus (1 Coríntios 6:19-20) — e muitas igrejas evangélicas pedem que os membros não se tatuem. Os dois lados concordam que marcas ligadas a ocultismo ou a culto de mortos ferem o sentido do texto, e que ninguém deve ser desprezado por uma marca na pele.
Perguntas frequentes
Quem tem tatuagem vai para o céu?
Sim: a tatuagem não decide a salvação. Somos salvos “pela graça”, por meio da fé, “não por obras” (Efésios 2:8-9) — nem pelas que fazemos nem pelas que evitamos. Quem entende que errou ao se tatuar encontra perdão (1 João 1:9); quem não entende assim não tem motivo para viver com culpa.
Fazer tatuagem é pecado?
A Bíblia não fala da tatuagem como ela é feita hoje; o único texto, Levítico 19:28, está ligado a ritos de luto e de culto dos povos vizinhos de Israel. Para uns, a proibição continua valendo para todo cristão; para outros, a questão passou a ser de consciência e de motivo (Romanos 14:5). Quem é membro de uma igreja que pede para não tatuar faz bem em conversar com seus líderes antes de decidir.
E piercing? Homem pode usar brinco?
A Bíblia não proíbe furar a orelha ou o nariz. Rebeca ganhou um pendente para o nariz (Gênesis 24:47), filhos e filhas de Israel usavam brincos de ouro (Êxodo 32:2), e Deus usa a imagem de joias no nariz e nas orelhas para falar do cuidado com Jerusalém (Ezequiel 16:12). Às vezes os brincos aparecem ligados a ídolos (Gênesis 35:4), e o princípio de 1 Pedro 3:3-4, dito às mulheres, vale para todos: o enfeite principal é o do coração.